Estudo revela como baixos níveis de cobre livre e ceruloplasmina influenciam a doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA).
Ilustração científica mostrando a doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) com ênfase nos baixos níveis de cobre livre e ceruloplasmina, destacando o fígado com áreas de acúmulo de gordura, inflamação e fibrose.

A doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) abrange uma ampla gama de condições, desde a esteatose benigna até a esteatohepatite não alcoólica (NASH), que pode evoluir para fibrose, cirrose e carcinoma hepatocelular. Atualmente, a DHGNA é a doença hepática crônica mais comum nos países ocidentais. A deficiência de cobre tem sido associada a alterações no metabolismo lipídico e à esteatose hepática, sugerindo um possível papel no desenvolvimento da DHGNA.

Autores

  • Vinicius S. Nunes
  • Adriana R. Andrade
  • Ana L. V. Guedes
  • Marcio A. Diniz
  • Claudia P. Oliveira
  • Eduardo L. R. Cançado

Métodos

Este estudo retrospectivo analisou uma coorte de 235 pacientes com DHGNA confirmada por biópsia hepática. Foram incluídos apenas os 95 pacientes cujos níveis de ceruloplasmina e cobre sérico foram medidos no período de seis meses antes ou depois da biópsia. Os pacientes foram divididos em grupos com base nos níveis de ceruloplasmina (< 25 mg/dL) e cobre não ligado à ceruloplasmina (NCBC) negativo. Os fatores de risco para DHGNA foram comparados entre os grupos. As análises estatísticas foram realizadas utilizando o programa R, versão 3.0.2.

Resultados

Os pacientes com níveis de ceruloplasmina < 25 mg/dL apresentaram:

  • Índice de Massa Corporal (IMC) mais baixo (29,1±3,47 vs 32,8±6,24 kg/m²; P=0,005)
  • Níveis mais baixos de LDL, HDL e colesterol total
  • Níveis médios de ferritina sérica mais altos (343±327 vs 197±190 ng/mL; P=0,02)

Por outro lado, os pacientes com NCBC negativo apresentaram um HOMA-IR significativamente mais alto (8,2±14,7 vs 4,6±3,7; P=0,03).

Conclusões

Pacientes com DHGNA apresentam diferentes marcadores clínicos e bioquímicos de acordo com os níveis de NCBC e ceruloplasmina. Esses dados sugerem que a deficiência de cobre pode desempenhar um papel na patogênese da DHGNA. Mais estudos são necessários para esclarecer o papel dos níveis de ceruloplasmina e cobre na progressão desta doença.


Este artigo foi escrito pelo Dr. Vinícius Nunes, juntamente com sua equipe de pesquisa, e publicado na revista “Arquivos de Gastroenterologia” em 2020. O estudo destaca a importância da avaliação dos níveis de cobre e ceruloplasmina em pacientes com DHGNA, fornecendo uma visão detalhada sobre os diferentes fenótipos da doença e suas possíveis implicações clínicas.

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